“Quando não se tem passado, não há futuro,” ou “Quem não tem passado, não tem futuro.” Escolha a tradução que desejar. A mensagem é a mesma. Quem fez o alerta foi Fernand Braudel, talvez o maior historiador europeu do século XX. Braudel era um medievalista. Vivia com a cabeça no século XIV, ponderando sobre as causas para a Guerra dos 100 anos. Para mim, a frase de Braudel evoca um passado remoto. Penso em priscas eras, bem anteriores à história e à pré-história. Imagino um cenário tropical, com lagoas de água doce à beira mar. A mata é exuberante como a amazônica, mas as árvores são samambaias gigantes. Não há flores – há 270 milhões de anos, faltavam ainda dezenas de milhões de anos para a primeira flor desabrochar. No céu não avoavam pássaros nem pterossauros, os primos alados dos dinossauros. No período Permiano, o ar ainda era território exclusivo dos insetos. Talvez por isso mesmo eles fossem tão grandes. De uma margem à outra das antigas lagoas costeiras, libélulas do tamanho de andorinhas zuniam à procura de alimento. Em terra firma, não havia dinossauros nem mamíferos. Ainda não havia chegado o momento de seus respectivos ramos brotarem e se estenderem a partir do tronco da árvore da vida na Terra.
